01/04/2018 Rosana Romão 2Comment

A Chapada Diamantina é um paraíso localizado na região central da Bahia. Montanhas, cachoeiras, rios, poços, cavernas, grutas, morros e cânions compõem a paisagem que sempre surpreende. Não importa se faz calor, se chove ou se o tempo está nublado, esse é um destino que não decepciona. Sabe por quê? Pela força e beleza que ele tem.

As rochas fazem você se sentir pequeno e o verde atrai o seu olhar para o simples. É impossível não sentir-se conectado com a natureza. São sensações fora do comum. Mas tudo isso você só vai entender (ou concordar) quando conhecer esse lugar.

A Chapada é enorme e tem muitos lugares para serem explorados. E para te incentivar, fiz esse texto com as principais informações que você precisa saber antes de ir. Vamos nessa?

Para você ter uma prévia de tudo o que irei abordar, vou mencionar os tópicos. Assim, você pode ir direto para a sua dúvida ou visualizar o conteúdo na ordem. Lembrando que essa é a primeira de uma série de matérias que estou produzindo sobre a Chapada. Então se algum tópico parecer superficial, aguarde que em breve ele pode ser abordado com detalhes. E fique à vontade para dar sugestões ou tirar suas dúvidas. Confira o roteiro deste texto:

  1. Chegada
  2. Hospedagem
  3. Passeios
  4. Quanto tempo ficar na Chapada Diamantina
  5. Orçamento
  6. Preparo físico
  7. Equipamentos necessários
  8. Planejamento do roteiro
  9. Dúvidas comuns

1. CHEGADA

Dependendo do seu local de partida, é possível chegar na Chapada em vários meios de transporte. Mas vou usar Salvador como referência, porque é o trajeto mais comum. De lá, você pode pegar um voo, ônibus ou alugar um carro até Lençóis, cidade base da Chapada.

De avião

A única empresa aérea que opera em Lençóis é a Azul Linhas Aéreas. Além de Salvador, ela também disponibiliza voos de Confins (MG) e São Paulo (SP). Da capital baiana, os voos acontecem às quintas e domingos. Mas eventualmente a Azul opera em outros dias da semana. A duração da viagem de avião é de 1h10.

Eu já vi passagem de R$ 200 (o trecho), mas geralmente o valor é maior. Normalmente, SSA-LEC ida e volta custa entre R$ 500 e R$ 1200. E apesar de pagar por esse valor, você ainda terá que desembolsar o transfer até Lençóis, pois o Aeroporto Horácio de Matos fica na BR-242, aproximadamente 20 km de distância do centro da cidade. Confira a frequência de voos:

Salvador – Lençóis Lençóis – Salvador
Dias: quinta e domingo Dias: quinta e domingo
Partida: 11h55 Partida: 13h30
Chegada: 13h05 Chegada: 14h30

Se você gosta de conforto, essa é a opção mais viável. Mas requer um bom planejamento, devido à frequência limitada de dias e horários dos voos e da necessidade de “casar” a chegada com a saída de um transfer para Lençóis (há diversas agências que disponibilizam o serviço). Dependendo da sua hospedagem o serviço pode ser mais barato ou até gratuito, porque alguns hotéis, pousadas e hostels recepcionam os hóspedes no aeroporto.

De ônibus

A Rodoviária de Salvador fica no bairro Pernambués, região conhecida como “Iguatemi” — devido à mudança que o shopping trouxe ao lugar (ele não existe mais, mas ficou a fama). Do aeroporto até lá, são 20 km de distância. Da Barra — região mais procurada para hospedagem — são cerca de 12 km de distância.

A empresa que faz o trajeto é a Real Expresso. Ela realiza a venda de passagem online via site e aplicativo. O valor do trecho é de R$ 86, mais R$ 2 de taxa de embarque. São cerca de 6h de viagem, mas a volta pode durar 7h. É possível deitar o banco e descansar no caminho. Também há a opção leito, em que você viaja numa espécie de cama, cujo o valor é um pouco mais do que o dobro da tarifa convencional. Normalmente os horários são:

Salvador – Lençóis Lençóis – Salvador
7h – 13h05 7h30 – 14h50
13h – 19h05 13h15 – 20h20
23h – 05h05 (+1) 23h30 – 6h20 (+1)

Lembrando que essas são opções de chegada em Lençóis. Existem ônibus para outras cidades da Chapada: Palmeiras, Itaberaba, Andaraí/ Igatu, Ibicoara e Mucugê. Para esses outros destinos você deve procurar as empresas Águia Branca e Viação Novo Horizonte.

A viagem de ônibus é a mais escolhida pelos mochileiros. Além de ser o meio de transporte mais econômico, não há a preocupação em conduzir um veículo. Sozinho ou acompanhado, você não terá dificuldades no deslocamento, mesmo se não conhecer a região. Eu viajei os dois trechos no período da noite e dormi a maior parte do caminho. Tem três paradas curtas e geralmente o ônibus não vai muito cheio. Achei super tranquilo e recomendo.

De carro

Essa é a opção mais indicada para quem deseja personalizar a viagem, porque você terá mais liberdade para organizar os horários e o próprio roteiro, além de usar o veículo para se locomover até às atrações. As agências que oferecem o transfer Salvador-Lençóis.

Se você prefere ir dirigindo, saiba que o trajeto que também requer planejamento prévio, tanto com mapa e gps quanto com a revisão do carro. O percurso é feito em rodovias asfaltadas e estradas de terra, então você pode utilizar um carro comum, sem a necessidade de tração. Mas para alguns passeios, um carro 4X4 faz toda a diferença. Se possível, considere essa opção.

São cerca de 425 km de distância, então prepare-se para pegar a estrada. De preferência, reveze a direção para garantir atenção e tranquilidade durante a viagem. Faça paradas quando necessário e aprecie a vista, pois a Chapada começa a encantar no próprio trajeto.

Cachoeira da Fumaça vista por cima, com foto de celular. (FOTO: Rosana Romão)
Cachoeira da Fumaça vista por cima, com foto de celular. (FOTO: Rosana Romão)

2. HOSPEDAGEM

Como falei anteriormente, a cidade base da Chapada é Lençóis. Ela é como se fosse a “capital’, apesar de a Chapada ser uma região dentro da Bahia, e não um estado. Aliás, muita gente acha que Chapada Diamantina é o nome de uma cidade. A sua extensão é de 41.751 km², equivalente ao tamanho da Suíça. Portanto, entenda a Chapada como uma grande área, que pode ser explorada de diferentes lugares:

  • Lençóis;
  • Vale do Capão;
  • Mucugê;
  • Andaraí;
  • Igatu;
  • Ibicoara;
  • Palmeiras;
  • Piatã;
  • Rio de Contas.

Dependendo da sua escolha, você vai encontrar diferentes hospedagens, desde hotéis de luxo, a pousadas, hostels e moradia nativa. Mas saiba que você vai explorar a natureza, então quanto mais rústica for a sua estadia, melhor será a experiência.

Para você ter uma noção de valores, a diária de um hotel custa cerca de R$ 400 e a de um hostel R$ 50. Também é possível alugar um flat ou casa e negociar o preço com o proprietário. Essa é opção indicada para grupos.

Depois posso fazer um post com algumas indicações de hospedagens. Se preferir, deixe a sua dúvida nos comentários que eu vou ter o maior prazer em ajudar. Mas em todas as opções de estadia você vai se sentir bem recebido, pois os baianos são acolhedores e estão sempre com um sorriso no rosto.

3. PASSEIOS

Essa é a melhor parte. Afinal, quem não fica empolgado ao ver as paisagens da Chapada? É quase impossível não se imaginar lá. E olha, tem muita coisa pra você conhecer! Por isso, esse item deve ser muito bem planejado. É importante conhecer as atrações para definir as que você deseja conhecer.

Quando estiver lá, à medida em que for conhecendo os lugares, você vai querer ampliar o roteiro. E se não fizer um bom planejamento (com antecedência), pode ficar mais difícil conciliar os passeios. Então, não corra esse risco. Pesquise, veja fotos, vídeos, pergunte a quem já foi e faça uma seleção antes de ir.

Há opções de caminhadas curtas, com pouco esforço, caminhadas de nível médio (1 dia), trekkings longos (2 a 5 dias) e esportes de aventura (escalada e rapel). Essas informações são essenciais para a composição do roteiro.

Na Chapada, a ideia é passar o dia fora, conhecendo as belezas naturais. Ou seja, para fazer os passeios, você vai sair de manhã e retornar no final de tarde ou à noite. Isso quando não for um trekking de mais de um dia. As agências e guias particulares organizam as saídas agrupando vários lugares no mesmo passeio.

Guia particular ou agência?

Os guias cobram por diária, e o valor depende do roteiro escolhido. Essa opção é mais indicada para grupos que viajam de carro. Mas lembre-se de reservar um lugar no veículo para o guia (que deve fazer parte da Associação de Condutores). As agências dispõem de transporte, guia nativo, alimentação e entrada nas atrações no mesmo pacote.

Mergulhar no Poço Azul é uma das experiências mais incríveis da Chapada. (FOTO: Chapada Adventure Daniel)
Mergulhar no Poço Azul é uma das experiências mais incríveis da Chapada. (FOTO: Chapada Adventure Daniel)

PASSEIOS POPULARES

Confira os passeios mais procurados da Chapada, com saída de Lençóis e informações sobre o duração, nível de esforço e média de valores.

GRUTAS COM PAI INÁCIO

Atrações: Rio Mucugezinho, Poço do Diabo, Gruta Azul, Gruta da Pratinha, Gruta Lapa Doce (ou Gruta da Torrinha) e Morro do Pai Inácio.
Nível de dificuldade/ duração: fácil/ 1 dia
Valor: R$ 200 a R$ 250 por pessoa.
Comentário: É o passeio mais tradicional, conhecido como Roteiro 1. Você conhece vários lugares no mesmo dia, com direito a banho e almoço no Restaurante e Gruta Lapa Doce (muito bom).

CACHOEIRA DA FUMAÇA POR CIMA COM RIACHINHO

Atrações: Cachoeira da Fumaça e Riachinho
Nível de dificuldade/ duração: médio/ 1 dia
Valor: R$ 150 a R$ 190 por pessoa
Comentário: É cansativo, mas vale todo o esforço. São 12 km (ida e volta) para chegar na 2ª maior cachoeira do Brasil: 340 metros de altura. A altitude e o vento forte na beira do precipício são os fatores que dão mais adrenalina ao passeio. É lá que você vai entender o porquê do nome Fumaça.

POÇOS

Atrações: Mirante do Rio Paraguaçu, Poço Azul e Poço Encantado.
Nível de dificuldade/ duração: fácil/ 1 a 2 dias
Valor: R$ 250 a 280 por pessoa.
Comentário: São lugares que proporcionam uma experiência incrível e única. Por isso, estão entre as atrações mais procuradas da Chapada. Algumas agências oferecem a Cachoeira do Buracão (com pernoite em Mucugê) nesse mesmo passeio. Dessa forma, ele totaliza 2 dias.

CACHOEIRA DO SOSSEGO COM RIBEIRÃO

Atrações: Cachoeira do Sossego e Ribeirão (do meio, de cima e de baixo)
Nível de dificuldade/ duração: moderado/ 1 dia
Valor: R$ 150 por pessoa
Comentário: De sossego, só tem o nome. Prepare-se para encarar 6 km íngreme e desnivelado. Mas depois de todo o percurso, você não irá se arrepender: a queda d’água é muito forte . O descanso no Ribeirão finaliza o dia.

PARQUE DA MURITIBA COM SERRANO

Atrações: Salão de areias coloridas, Cachoeira da Primavera, Poço Halley, Cachoeirinha e vista panorâmica da cidade de Lençóis.
Nível de dificuldade/ duração: fácil / 1 dia
Valor: R$ 80 por pessoa
Comentário: Esse é um passeio leve, ideal para  o dia seguinte de uma trilha pesada (como a Fumaça e o Sossego). Fica na própria cidade de Lençóis e é possível ir a pé.

CACHOEIRA DO MOSQUITO

Atrações: Cachoeira do Mosquito
Nível de dificuldade/ duração: fácil/ 1 dia
Valor: R$ 150 a R$ 200 por pessoa
Comentário: Também pode ser feita junto com o Serrano ou Poço do Diabo. Não exige muito esforço e oferece uma forte e bela queda d’água. Também é possível ficar atrás do véu de água e ter uma vista diferenciada.

Estalactites e estalagmites da Gruta Lapa Doce, em Iraquara. (FOTO: Helene Santos)
Estalactites e estalagmites da Gruta Lapa Doce, em Iraquara. (FOTO: Helene Santos)

CACHOEIRA DO BURACÃO

Atrações: Cachoeira do Buracão, Cachoeira das Orquídeas, Cachoeira do Recanto Verde e Bucacãozinho.
Nível de dificuldade/ duração: fácil/ 1 a 2 dias
Valor: R$ 350 a R$ 420
Comentário: É possível fazer em um dia, mas a distância de Lençóis é de 260 km. Existe a opção de pernoitar em Ibicoara ou Mucugê (mais comum), junto com o passeio dos Poços. O lugar compensa todo o esforço: você nada por dentro do cânion e ainda tem a visão panorâmica de cima do Buracão.

TRAVESSIA ÁGUAS CLARAS

Atrações: Morro do Pai Inácio, Morrão, Três Irmãos e riacho de águas cristalinas.
Nível de dificuldade/ duração: moderado/ 1 dia
Valor: R$150 a  200 por pessoa
Comentário: O trajeto contempla Vale do Capão – Pai Inácio ou o contrário. Pode ser feito bate e volta ou com a trilha completa (18 km). O percurso é feito em campo aberto (maior parte plano) e com vista para os mais imponentes cenários da chapada. Para fechar com chave de ouro, finalize o dia com o pôr do sol no Morro do Pai Inácio.

RAPEL NA GRUTA DO LAPÃO

Atrações: Travessia e/ou descida pela Gruta do Lapão (50 metros de altura)
Nível de dificuldade/ duração: moderado
Valor: R$ 150 a R$ 300 por pessoa
Comentário: Para quem gosta de adrenalina e natureza, é o casamento perfeito. Para chegar lá, você pode ir caminhando a partir de Lençóis. São 11 km de distância, mas é necessário o acompanhamento de um guia.

TRAVESSIA VALE DO PATI

Atrações: Mirante e Rampa do Pati, Gerais do Vieira e do Rio Preto, Cachoeirão, Morro do Castelo e Cachoeira do Funil. Mas o percurso em si é a maior atração.
Nível de dificuldade/ duração: alto/ 3 a 5 dias
Acomodação: casa de nativos. Há quartos coletivos e para casais. Algumas casas aceitam camping. As famílias oferecem café da manhã e jantar. O almoço é feito com lanches durante o trekking.
Valor: R$ 300 por dia
Comentário: O lugar mais espetacular da Chapada Diamantina. Uma experiência rústica, de vida simples e natureza exuberante. O percurso diário é de 15 a 25 km, com grau de dificuldade alto e muitas subidas e descidas. Algumas agências e guias particulares fazem o passeio de 1 dia no Mirante do Pati, mas é preciso negociar. Porém, apenas um dia não é o suficiente, só serve para dar vontade de fazer o Pati completo. É melhor investir na segunda opção.

CACHOEIRA DA FUMAÇA POR BAIXO

Atrações: Serra do Macaco, Poço da Fumaça, Cachoeira da Capivara e Cachoeira do Palmital. Dependendo do passeio, pode ser incluída a Fumaça por cima.
Nível de dificuldade/ duração: alto/ 2 ou 3 dias
Valor: a negociar
Comentário: Necessita de um bom preparo físico para trekking. Oferece uma vista completamente diferente e a proximidade com a cachoeira a torna ainda mais incrível. Porém, esse passeio depende das condições climáticas para ser realizado com segurança.

CACHOEIRA DA FUMACINHA

Atrações: Cachoeira da Fumacinha
Nível de dificuldade/ duração: alto/ 1 ou 2 dias
Valor: R$ 550 (hospedagem em Ibicoara)
Comentário: O percurso exige muita disposição, atenção e equilíbrio. São 18 km no total, que podem ser feitos em 1 ou 2 dias. Se optar por fazê-lo em um 1 dia, descanse bastante no dia anterior, pois você vai acordar muito cedo e gastar muita energia. Em compensação, o cenário vai fazer você esquecer de todas as dificuldades.

CACHOEIRA DO MIXILA

Atrações: Cachoeira do Capivari (40 metros de queda), Poção (pernoite/ camping) e Cachoeira do Mixila
Nível de dificuldade/ duração: alto / 2 dias
Valor: R$ 800 (equipamento de camping incluso)
Comentário: O percurso total tem 18 km e o Mixila é o último ponto, visitado no 2º dia. Para chegar lá, é preciso passar pelo leito do rio (em meio ao cânion) e dois poços a nado.

Cachoeira e Poço do Diabo. (FOTO: Helene Santos)
Cachoeira e Poço do Diabo. (FOTO: Helene Santos)

PASSEIOS MENOS POPULARES

Confira alguns dos passeios mais tranquilos e menos procurados a partir de suas localidades:

MUCUGÊ

  • Mar de Espanha e Cachoeira da Sibéria
  • Cachoeira do Cardoso

ANDARAÍ

  • Cachoeira do Ramalho
  • Cachoeiras das Três Barras, dos Cristais e Bequinho
  • Cachoeira da Califórnia, em Igatu
  • Cachoeira da Invernada
  • Cachoeira da Roncadeira
  • Cachoeira do Herculano (100 metros de altura)
  • Cachoeira do Bom Jardim
  • Gruta da Paixão
  • Cachoeira da Rosinha

LENÇÓIS

  • Cachoeira do Rio Mandassaia
  • Cachoeiras do Fundão e 21

PALMEIRAS

  • Cachoeiras de Conceição dos Gatos
  • Pinturas Rupestres da Serra Negra

RIO DAS CONTAS

  • Cachoeira do Jiló
  • Poço Preto

ITAETÊ

  • Cachoeira Encantada

IRAQUARA

  • Gruta da Fumaça

MORRO DO CHAPÉU

  • Gruta dos Brejões

RIO DO PIRES E ABAÍRA

  • Pico do Barbado (mais alto do nordeste)
Vista do Vale do Capão. (FOTO: Helene Santos)
Vista do Vale do Capão. (FOTO: Helene Santos)

4. QUANTO TEMPO FICAR NA CHAPADA DIAMANTINA

Essa questão é muito relativa porque depende da sua disponibilidade financeira e de tempo. Mas uma coisa é certa: independentemente da duração, vai ser uma boa experiência. Se você puder ficar um mês, vai visitar  vários lugares e ainda assim não vai conhecer tudo. Se puder ficar um dia e aproveitá-lo bem, também vai conhecer muita coisa e ficar na vontade de voltar para ver o restante.

O período mais recomendado é de 1 semana (tirando os dias de ida e volta), pois nem é muito e nem é pouco, dá pra aproveitar bastante. Lembre-se de que quanto mais dias ou passeios você incluir no roteiro, mais cansativo ele será, pois as trilhas exigem muito esforço físico. Uma boa opção é reservar um dia para o descanso, principalmente depois dos trekkings.

Mas o mais importante é a logística durante esses dias. Apesar de ser apenas uma semana, faça o possível para ela render ao máximo. Para isso, estude bem as atrações e defina o roteiro com bastante antecedência, com planos B e C para eventualidades. Também é recomendado deixar um dia em aberto, para definir o destino lá. Pois, à medida em que vai conhecendo as atrações, você vai se identificar com determinados passeios e pode se surpreender: um princípio não parecia tão atrativo pode se tornar um desejo seu.

Ah, mas eu já vi pessoas passarem apenas um final de semana na Chapada”. Sim, é possível, mas você volta com a sensação de que poderia ter aproveitado mais. Então, se for pra planejar uma viagem para a Chapada Diamantina, escolha, no mínimo, 5 dias e otimize o tempo da melhor forma possível. Peça dicas de quem já foi e converse com os guias para saber quais são os melhores passeios para aquele período. Como se tratam de atrativos naturais, as alterações de clima podem comprometer a vista de alguns lugares.

Cachoeira da Fumaça. (FOTO: Chapada Adventure Daniel)
Cachoeira da Fumaça. (FOTO: Chapada Adventure Daniel)

5. ORÇAMENTO

Assim como você precisa disponibilizar de tempo para ter um boa experiência, é importante fazer uma economia para colocar o planejamento em prática. Cada passeio custa, em média, R$ 150, mas pode chegar até R$ 800 se incluir pernoite e regiões de difícil acesso. E além dos passeios há outras despesas: deslocamento de ida e volta, alimentação e hospedagem.

Para quem deseja uma viagem econômica, escolha os três principais passeios (Grutas com Pai Inácio, Poços e Fumaça), hospede-se em um hostel (há opções com R$ 50 a diária),  escolha o ônibus como meio de transporte e opte por alimentação simples.

Levando alguns lanches e fazendo refeições econômicas (vários restaurantes que oferecem Prato Feito), você não vai precisar desembolsar muito dinheiro. Todo esse pacote (passeios, hostel e alimentação) para 1 final de semana, custará cerca de R$ 1500.

Mas dependendo do seu estilo de viagem, dias de estadia e passeios escolhidos, o valor pode mudar. Se possível, faça reservas com antecedência e reserve parte do orçamento em espécie, pois alguns estabelecimentos não aceitam cartão de crédito ou débito e há poucos bancos a disposição dos turistas. Apenas o Banco do Brasil, o Bradesco e a Caixa Econômica operam.

Apesar de ter citados esses valores, eu enxergo o orçamento como um investimento. Se você gosta de natureza, aventura e novas vivências, sabe que não tem preço que pague por uma experiência. O turismo é bem organizado, gera renda direta à população local e vale cada centavo.

6. PREPARO FÍSICO

Se você pretende ir à Chapada, saiba que vai enfrentar muitas ladeiras, caminhadas e trekkings. Para quem é totalmente sedentário, o ideal é escolher passeios mais leves, com intervalos de descanso. Já quem gosta de aventura, tenha cuidado para não ir com muita “sede ao pote”, pois há lugares que requerem esforço até dos mais experientes.

Mas apesar do esforço, todas as atrações trazem recompensas. As formações rochosas, vegetação e balneários são impressionantes! O desafio de superar limites é outro atrativo: a caminhada ou trekking pode ser uma forma de meditação ou proporcionar experiências únicas.

7. EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS

Dependendo dos passeios que você escolher, serão necessários equipamentos específicos. O básico que você deve levar é: mochila, tênis ou bota apropriada para trilhas e trekking, garrafa para armazenamento de água, roupas leves, roupa de banho, câmera, óculos escuros, chapéu, repelente e protetor solar (indispensável).

Se você tiver uma câmera de mão (tipo GoPro), é melhor levá-la ao invés uma câmera profissional, devido ao peso e à possibilidade de tirar fotos submersas. Se for viajar de ônibus, leve um pequeno travesseiro ou lençol para tornar na viagem mais confortável.

E deixe um espaço na mala para possíveis compras, pois certamente você vai querer levar lembrancinhas e cervejas artesanais ou cafés produzidos na região (são maravilhosos).

Por do sol no Morro do Pai Inácio. (FOTO: Helene Santos)
Por do sol no Morro do Pai Inácio. (FOTO: Helene Santos)

8. PLANEJAMENTO DO ROTEIRO

Alugar ou carro e contratar um guia ou fechar pacote com agência? Onde encontrar a lista de guias da Associação de Condutores? Melhor começar a trip na região norte ou na sul? Devo ficar algum dia em Salvador ou não vale a pena? O que fazer no primeiro dia? Onde comprar lembrancinhas? Quais os pratos típicos que eu preciso experimentar? São muitas dúvidas, não é mesmo? E todas elas são resolvidas com uma palavra: planejamento.

Na verdade, essa é a palavra-chave de todo viajante. Pesquisar é o primeiro passo para montar o seu roteiro. Seja curioso, busque informações e teste possibilidades. Só assim você vai descobrir como tornar a sua viagem mais proveitosa. Eu posso dar mil dicas aqui ou até fazer um post sobre isso mas, no fim, tudo vai depender da sua organização e do seu estilo de viagem. Mas tenha em mente que você precisa de:

  • pesquisar e fazer reservas com antecedência;
  • escolher os lugares que mais vai conhecer;
  • definir algumas opções para imprevistos;
  • ter um orçamento calculado e monitorado durante toda a viagem;
  • alternar os percursos de acordo com os níveis de dificuldades (fácil/moderado, leve/alto);
  • preparo físico e muita energia para explorar ao máximo o destino.

9. DÚVIDAS COMUNS

Mesmo com esse texto extenso, é normal que você ainda tenha dúvidas. Se você desejar mais informações sobre um determinado assunto ou algo que não foi mencionado, comente neste post. Vou ter o maior prazer em ajudar você.

E mesmo que eu não saiba a resposta, vou pesquisar e compartilhar o que aprendi. Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida de viajante é que o conhecimento adquirido deve ser compartilhado. Muitas pessoas já me ajudaram e eu também quero fazer a minha parte para que esse fluxo continue.

Também vou publicar mais textos sobre a Chapada Diamantina. Então se você se interessa pelo assunto e deseja acompanhar as próximas publicações, deixe o seu e-mail nos comentários ou me envie um e-mail (contato@cearaviaja.com.br) com o seguinte título: “Quero saber mais sobre a Chapada Diamantina”.

Vou responder informando sobre as novas postagens.

Gostou do guia? Então deixe sua opinião nos comentários! E se esse conteúdo foi útil pra você, compartilhe nas suas redes sociais para que ele alcance mais pessoas! E vamos desbravar esse mundão, que é cheio de surpresas e aventuras!

Rosana Romão viajou à convite da Chapada Adventure Daniel.

2 thoughts on “CHAPADA DIAMANTINA: o que você precisa saber antes de ir?

  1. Nooooossa, amei! Dicas incríveis e a matéria super organizada. Parabéns… Estou indo em julho e essas dicas só reforçaram meu desejo de conhecer essa maravilha de lugar! Obrigado.

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